quinta-feira, 13 de maio de 2021

O que são grandes títulos?

 Filipe Heath

Como já conseguiram perceber eu falo várias vezes, diretamente ou indiretamente, da importância da diversidade na literatura. Façam um exercício de reflexão e observem atentamente as vossas estantes, quantos autores brancos estão presentes comparativamente a autores negros e/ou asiáticos? E dentro dos autores brancos, quantos deles são cis-gênero e heterossexuais? A primeira reação ao ler isto é logo: para mim a cor da pele ou identidade de gênero/orientação sexual não importa, eu leio o que eu quero. Mas já pensaram que autores de comunidades marginalizadas têm muito menos oportunidade de serem publicados simplesmente por serem quem são? O leitor tem um papel grande a combater este facto.

Este mês estou a fazer um esforço para ler apenas autoras asiáticas portanto partilho com vocês cinco livros de autoras asiáticas que tenho lido ao longo deste ano e que recomendo vivamente, seja pela escrita, construção de personagens, plot ou discussões pertinentes. 











Masterclass II: com João Morales

 João Morales foi diretor da revista mensal Meus Livros, jornalista, editor, e trabalha há muitos anos na área do fomento cultural. É o criador do Festival Livros a Oeste, na Lourinhã, a decorrer esta semana . 

Aqui, uma das sessões do festival com o próprio Morales como entrevistador. 

A sessão será presencial. Tragam perguntas. O João é umas pessoas mais activas nos últimos vinte anos no mundo editorial e, se não souber, diz que não sabe. Mas provavelmente sabe. 


quarta-feira, 12 de maio de 2021

Aula de hoje (12/5) e masterclass na próxima, talvez

 Hoje a aula será breve, mas suculenta, espero. 

Serão emprestados livros - algo de que temos sentido falta. 

Em princípio, na próxima aula teremos novo convidado: João Morales, o mentor do festival Livros a Oeste, a decorrer esta semana na Lourinhã e Online. 

Adenda: muito engraçada, esta edição do The Guardian a celebrar os seus 200 anos e a apontar os piores erros cometidos. 




«Cuidado com os revizores», por Luis Fernando Verissimo

Todo escritor convive com um terror permanente: o do erro de revisão. O revisor é a pessoa mais importante na vida de quem escreve. Ele tem o poder de vida ou de morte profissional sobre o autor. A inclusão ou omissão de uma letra ou vírgula no que sai impresso pode decidir se o autor vai ser entendido ou não, admirado ou ridicularizado, consagrado ou processado. Todo texto tem, na verdade, dois autores: quem o escreveu e quem o revisou. Toda vez que manda um texto para ser publicado, o autor se coloca nas mãos do revisor, esperando que seu parceiro não falhe. Não há escritor que não empregue palavras como, por exemplo: "ônus" ou "carvalho" e depois fique metaforicamente de malas feitas, pronto para fugir do país se as palavras não saírem impressas como no original, por um lapso do revisor. Ou por sabotagem.

Sim, porque a paranoia autoral não tem limites. Muitos autores acreditam firmemente que existe uma conspiração de revisores contra eles. Quando os revisores não deixam passar erros de composição (hoje em dia, de digitação), fazem pior: não corrigem os erros ortográficos e gramaticais do próprio autor, deixando-o entregue às consequências dos seus próprios pecados de concordância, das suas crases indevidas e pronomes fora do lugar. O que é uma ignomínia. Ou será ignomia? Enfim, não se faz.

Pode-se imaginar o que uma conspiração organizada, internacional, de revisores significaria para a nossa civilização. Os revisores só não dominam o mundo porque ainda não se deram conta do poder que têm. Eles desestabilizariam qualquer regime com acentos indevidos e pontuações maliciosas, além de decretos oficiais ininteligíveis. Grandes jornais seriam levados à falência por difamações involuntárias, exércitos inteiros seriam imobilizados por manuais de instrução militar sutilmente alterados, gerações de estudantes seriam desencaminhadas por cartilhas ambíguas e fórmulas de química incompletas. E os efeitos de uma revisão subversiva na instrução médica são terríveis demais para contemplar.

Existe um exemplo histórico do que a revisão desatenta - ou mal-intencionada - pode fazer. Uma das edições da Versão Autorizada da Bíblia publicada na Inglaterra por iniciativa do rei James I, no século XVII, ficou conhecida como a "Bíblia Má", porque a injunção "Não cometerás adultério" saiu, por um erro de impressão, sem o "não". Ninguém sabe se o volume de adultérios entre os cristãos de fala inglesa aumentou em decorrência dessa inesperada sanção bíblica até descobrirem o erro, ou se o impressor e o revisor foram atirados numa fogueira juntos, mas o fato prova que nem a palavra de Deus está livre do poder dos revisores.

A mesma bíblia do rei James serve como um alerta (ou como o incentivo, dependendo de como se entender a história) para a possibilidade que o revisor tem de interferir no texto. O objetivo de James I era fazer uma versão definitiva da Bíblia em inglês, com aprovação real, para substituir todas as outras traduções da época, principalmente as que mostravam uma certa simpatia republicana nas entrelinhas (como a Bíblia de Genebra, feita por calvinistas e adotada pelos puritanos ingleses, e que é a única Bíblia da História em que Adão e Eva vestem calções. Para isso, James reuniu um time dividido entre os que cuidariam do Velho e do Novo Testamento, das partes proféticas e das partes poéticas, etc.. Especula-se que as traduções dos trechos poéticos teriam sido distribuídas entre os poetas praticantes da época, para revisarem e, se fosse o caso, melhorarem, desde que não traíssem o original. Entre os poetas em atividade na Inglaterra de James I estava William Shakespeare. O que explicaria o fato de o nome de Shakespeare aparecer no Salmo 46 - "shake" é a 46ª palavra do salmo a contar do começo, "speare" a 46ª a contar do fim. Na tarefa de revisor, e incerto sobre a sua permanência na História como sonetista ou dramaturgo, Shakespeare teria inserido seu nome clandestina e disfarçadamente numa obra que sem dúvida sobreviveria aos séculos. (Infelizmente, diz Anthony Burgess, em cujo livro A mouthful of air a encontrei, há pouca probabilidade de esta história ser verdadeira. De qualquer maneira, vale para ilustrar a tentação que todo revisor deve sentir de deixar sua marca, como grafite, na criação alheia.)

Não posso me queixar dos revisores. Fora a vontade de reuni-los em algum lugar, fechar a porta e dizer "Vamos resolver de uma vez por todas a questão da colocação das vírgulas, mesmo que haja mortos", acho que me têm tratado bem. Até me protegem. Costumo atirar os pronomes numa frase e deixá-los ficar onde caíram, certo de que o revisor os colocará no lugar adequado. Sempre deixo a crase ao arbítrio deles, que a usem se acharem que devem. E jamais uso a palavra "medra", para livrá-los da tentação.

domingo, 9 de maio de 2021

De portas abertas

Joana Camões Pereira


Há duas sessões, o editor João Concha deu-nos a conhecer o seu método de trabalho e expôs alguns do problemas e entraves que encontrou ao longo do seu percurso com a não (edições).

Hoje, deixou-vos a ligação para o podcast da Cultura Editora, «É Outra História», que, por outra via, nos dá a conhecer um pouco da realidade desta editora. O programa já conta com três episódios, todos eles apresentados pelo coordenador editorial, e em cada um deles aborda-se uma das fases de produção, contando com convidados — o editor, autores da casa, uma paginadora, uma revisora e uma capista do grupo Leya.

Tanto quanto sei, é a única editora que partilha este tipo de material, que nos permite bisbilhotar um pouco o que se passa dentro das paredes de uma casa editorial. O que se pode tirar daqui não é uma fórmula mágica, são apenas experiências e perspectivas pessoais, mas que nos podem ajudar a evitar erros, a despertar sensibilidades e a perceber que cada casa tem um tapete diferente.

sábado, 8 de maio de 2021

Sumário da última aula (em construção)

5

 O booktrailer da Ana Filipa está perto do perfeito. Só sugiro umas déciams de segundo mais de música introdutória. Mas terei razão? Não sei. Não estou seguro. Uma vez sugeri a um poeta que tirasse os pontos finais, «para dar mais espaço aos versos, menos determinismo» e, meses mais tarde, esquecido, após ele sugerir as minhas dicas, disse-lhe o contrário: «Ó pá, devias pôr uns pontos finais, para tornar os versos mais afirmativos, determinados». Quem/quando tinha razão? Por vezes é óbvio, outras não. Mas decisões - informadas, pertinentes, assentes na experiência, na técnica, no talento, no nariz - têm de ser tomadas. 

4

A vida lá fora influencia as decisões e o mercado. O assédio e o movimento #metoo são, com méritos, próprios, temas da atualidade. Esta semana apareceu já um nome, por sinal o do que foi um dos mais respeitados editores portugueses. (Nota: trabalhei com ele, como metade da humanidade, temos uma relação cordata; com a Joana Emídio Marques é o contrário.) Isso dividiu o campo em dois: o dos que, como nos grupos mais fechados e corporativistas, dizem «O meu menino não!» e o dos que (ver a votação na nossa turma, por oito a zero) dizem «a queixa parece legítima». Nota A: nenhum de nós estava lá. Nota B: ser «meu amigo» e «uma pessoa respeitável» tão mau argumento como dizer «a vítima tem sempre razão». Nota C: ficou provado que esta área é mesmo endogâmica. E há um terceiro elemento: o jovem editor de sucesso de uma chancela da Porto, Rui Couceiro, que é citado como tendo dito uma coisa mas depois tendo-a veementemente negado em público. Em que ficamos? 

Não percam as cenas dos próximos capítulos. Entretanto, sugiro que sigam o caso. A poeta, ensaísta e professora já escreveu um artigo em defesa do queixoso. Que aliás tem em sua defesa também o poeta e ex-diplomata e ex-ministro da Cultura Luís Castro Mendes, mais uma série de pessoas daquela geração. Do lado da jornalista e escritora também há jornalistas, repórteres, intelectuais - e até poetas, como Rui Almeida. 

Eu só digo: não me comprometam! Mas dizer «não me comprometam» é um bocadinhochinho contrário à imagem do intelectual destemido que não tem 'medo' de dizer as coisas, certo? 

3. Editar é escolher

(...(


2. Atenção à duração dos direitos de autor

Os direitos de autor tornam-se públicos passado algun tempo - antigamente 50 anos, agora 70. Isso fez com que Fernando Pessoa que, nos anos 80, estava no domínio público, nos 90 passasse a ser explorado exclusivamente pela Assírio & Alvim, quenegociou os direitos com as herdeiras do poeta.

O direito à autoria, esse, não caduca. Significa que eu posso editar os sonetos de Camões, sem pagar direitos aos putativos herdeiros, mas não posso dizer que são meus.  

Exemplo: Sacagens da pop a música clássica. Aqui, sobretudo minutos 14'-17'.   



   

segunda-feira, 3 de maio de 2021

Book Trailer: O Pó de Puns do Doutor Proctor

Ana Filipa Leite

Fiz um book trailer para o livro O Pó de Puns do Doutor Proctor, de Jo Nesbø, que encontrei há umas semanas na casa dos meus pais e cujas ilustrações achei interessantes para este exercício.

Agradeço ao meu irmão por ter dado voz a esta parvoíce. Aqui está o vídeo (e aqui está neste link também, com mais qualidade do que o leitor do Blogger permite):



Guia de sinais de revisão

Mesmo com o semestre já findado, deixo aqui  este guia bastante completo dos sinais usados na revisão de texto. O  site  Revisão para quê t...