sábado, 14 de novembro de 2020

Que pode (e deve) Paul fazer?

 João Mourão

 

     Numa mailing list que me inunda o gmail diariamente com eventos e publicações, ofertas de serviços de revisão e edição académicas e uns quantos posts mais agressivos sobre o que alguém disse ou não disse numa conferência onde ninguém foi, calha, por vezes, ser abandonada uma mensagem de dúvidas quanto à publicação de textos académicos, ora em jornais e revistas académicas, ora como livros. 

    Os e-mails que se seguem colocam em destaque as seguintes perguntas: é ético enviar a mesma proposta para diferentes editoras, fazendo-as ou não saber que a mesma proposta foi enviada para a competição? E a mesma regra aplica-se a novos e antigos autores?

    Paul, que colocou estas e outras perguntas no primeiro e-mail, pediu que as respostas fossem enviadas diretamente para o seu e-mail, sendo que as reuniria numa segunda mensagem a ser enviada para a mesma mailing list. Não sei se o contexto académico difere, na resposta adequada à pergunta formulada, do da edição não académica ou não técnica. Mas gostaria de o saber, pelo que deixo aqui as respostas reunidas, que vão de um categórico 'sim' a um categórico 'não', na expectativa de que alguém me diga o que acontece quando é submetido um texto literário a uma editora. 

    Ainda, pareceu-me ser um caso de estudo interessante, dada a pequena amostra reunida neste e-mail de breves perspetivas oferecidas por autores, editores e revisores.

    Um bom fim-de-semana para todos.

 




 


Jólabókaflóðið: Inundação natalícia de livros

Joana Camões Pereira


Quando mencionado em aula que se preserva a ideia de que a leitura é algo positivo (pois tem-se o hábito de oferecer livros nos aniversários e no Natal), lembrei-me da tradição natalícia islandesa que transforma o Christmas em Bookmas — Jólabókaflóð.

Mas o que é isso? É a oferta de livros na noite de consoada e a passagem desse serão a ler na companhia de familiares. Nada de surpreendente se se tiver em conta os hábitos de leitura dos islandeses.

Verdadeiramente interessante é que esta tradição tenha resultado da crise subsequente da Segunda Guerra Mundial. Os produtos importados tornaram-se surrealmente caros, excepto o papel, e, para que o Grinch não roubasse o Natal, intensificou-se a oferta de livros, que mantiveram o preço acessível.

Salvou-se o Natal e a indústria editorial, que também estava a atravessar uma crise. 

Naturalmente, esta tradição ímpar cria uma dinâmica diferente no meio editorial quando comparada com outros países. Anualmente, é enviado em Novembro um catálogo (Bókatíðindi) para casa de todas as pessoas, altura em que também ocorre uma grande feira do livro nacional.

Ainda que em Portugal o número de livros que saem entre Setembro e início de Dezembro para encher as livrarias seja grande e a luta por destaques em catálogos e montras se assemelhe a uma luta tribal, é incomparável à inundação que enche livrarias, hipermercados e até pequenas lojas de retalho na Islândia.

Em Portugal, não é o Natal que salva o mercado livreiro.

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

Solução para o Poema de Pessanha

Até ao chão curvados, 

Exaustos e curvados,

Vão um a um, curvados,

Escravos condenados,

Em seus magros perfis

No poente recortados,

Em negro recortados,

Magros, mesquinhos, vis.

quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Proposta de Contracapa

Inês Martins


“Os pombos da senhora Alice. Envelhecer em Portugal” é uma obra da jornalista Ana Catarina André, publicada em maio deste ano pela Fundação Francisco Manuel dos Santos. Ao olhar para a capa e ver o título, ainda antes de ler o livro, a primeira coisa que senti foi tristeza, por pensar que, provavelmente, à pobre senhora Alice a única companhia que lhe restava era a dos pombos. Ao começar a ler, constatei que tinha razão.

Alice é uma octogenária que vive num bairro lisboeta e que já perdeu todos os familiares. Resta-lhe a companhia dos pombos, que alimenta diariamente. A sua história é a primeira de várias em que a autora, ao longo de 75 páginas, mostra a realidade de envelhecer sozinho em Portugal, não só na capital, mas também no interior do país.

A capa parece-me apropriada. A preto e branco, mostra a fotografia de Alice a olhar pela janela da porta, provavelmente para o vazio. Remete-nos exatamente para aquilo que vamos ler: um conjunto de histórias que têm como elo de ligação a solidão, muitas vezes aliada à pobreza, de quem já não tem ninguém ou de quem tem família com a qual não tem qualquer tipo de relação. Importa realçar que, se é verdade que a maioria das histórias não são felizes, há algumas de pessoas que, mesmo sozinhas, conseguiram alcançar melhores condições de vida já em idade avançada.

Deixo uma proposta de texto para a contracapa:


     Uma mulher que alimenta pombos, um homem que está impedido de gerir o seu próprio dinheiro, uma senhora que vive sozinha entre cinquenta pessoas. Os pombos da senhora Alice. Envelhecer em Portugal conta as histórias da solidão, pobreza e tristeza de quem já não tem ninguém, mas também da esperança de quem desafiou as expectativas e alcançou uma vida melhor.





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 Rui Zink está convidando você para uma reunião Zoom agendada.


Tópico: Minha Reunião

Hora: 12 nov 2020 06:00 PM Lisboa

        Toda Semana Qui, até 24 dez 2020, 7 evento(s)

        12 nov 2020 06:00 PM

        19 nov 2020 06:00 PM

        26 nov 2020 06:00 PM

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 Países Baixos)

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69.174.57.160 (Canadá)

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Exercício: Pessanha, Uma Estrofe Problemática

 Nádia Correia


Até ao chão curvados,

Exaustos e curvados,

Em seus magros perfis,

Vão um a um, curvados,

Escravos condenados,

No poente recortados,

Em negro recortados,

Magros, mesquinhos, vis.

Proposta para o poema 'Branco e Vermelho', por Camilo Pessanha

Mafalda Franco


Na sequência da reflexão (e resolução) pedida na aula passada, segue a minha proposta:


Até ao chão, curvados,

Exaustos e curvados, 

Vão um a um, curvados,  

Escravos condenados,  

No poente recortados,

Em seus magros perfis, 

Em negro recortados,

Magros, mesquinhos, vis.  


Saliento, no entanto (e correndo o risco de corrigir em demasia), que retiraria a vírgula do verso anterior:


Até ao chão, curvados,

Exaustos e curvados,

Vão um a um, curvados,  

Escravos condenados,

No poente recortados

Em seus magros perfis,

Em negro recortados,

Magros, mesquinhos, vis.  

Guia de sinais de revisão

Mesmo com o semestre já findado, deixo aqui  este guia bastante completo dos sinais usados na revisão de texto. O  site  Revisão para quê t...