quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Trabalhos - ainda não são as notas

 Meus caros, comecei agora - despachada a licenciatura - a ler os vossos trabalhos. Já li um par que me deu um produto infelizmente mais raro do que o desejável: prazer a ler + alguma informação útil. 

Aqui uma lista dos trabalhos que, tanto quanto pude ver, me chegaram. Verifiquem apenas se o vosso nome está na lista - caso contrário comuniquem-me, sff. 


  1. Ana Filipa Leite
  2. Afonso Fragoso de Matos
  3. Beatriz Valadas de Almeida
  4. Carlos Augusto P. Silva
  5. Catarina Lourenço
  6. Daniel Regis
  7. Filipe Heath
  8. Flávia Farhat
  9. Francisco Inácio Lourenço
  10. Francisco Mouta Rúbio
  11. Hugo Martins
  12. Inês Martins
  13. Inês Vegetal
  14. Joana Camões Pereira
  15. Joana Nunes
  16. João Sardo Mourão
  17. Julia Roveri
  18. Karina Borges
  19. Mafalda Franco
  20. Manuel Afonso 
  21. Miguel Baptista
  22. Miguel Francisco
  23. Nádia Correia
  24. Olavo Rodrigues
  25. Raquel Paixão
  26. Rita Serrano
  27. Tagiane Mai
  28. Thiago Oliveira


quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Feliz Natal

 


«Then you take the power...»

É uma resmunguice minha de 2012:  

«Jamie Oliver», «Nigella»? Alguém me explica quando é que os ingleses começaram a ensinar-nos a comer?!

Que sejam o centro do mundo numa data de coisas tudo bem (musicais, livros com mágicos, mau sexo, algemas, humor inglês, molho inglês, crème anglaise, batatas fritas belgas mas com peixe demasiado frito, cerveja morna, cabines telefónicas da cor do pai natal, autocarros de dois andares, música pop, golfe, autopromoção, exportação de chuva, maus livros e jornalismo sarjetário) ainda vá que não vá...

Agora gastronomia?!? 

segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

Vale tudo, vale tudo, mas... vale mesmo tudo?

Miguel Francisco



Colo aqui com uma lambidela na parte de trás do post, como aquelas que se dão para colar o selo de uma carta, a pergunta que me persegue a cada palavra que se segue: mas vale tudo?

Vale tudo?

Coloco aqui em causa para o meu verbete uma das mais recentes edições do romance distópico de George Orwell 1984 pela editora Clube do Autor, publicado em março deste ano, e que não deve passar despercebida, sendo a Antígona a detentora dos direitos de publicação do livro.  

Não só é de reprovar a atitude, talvez equivalente à cadeia de fast-food Burger King decidir começar a vender os mesmos hambúrgers, com os mesmos ingredientes que a McDonnalds, apenas mudando cautelosamente o revestimento do hambúrger e o marketing do mesmo; como também podemos questionar-nos acerca do empratamento feito pelo Clube do Autor.

Nesta edição do Clube do Autor, a editora fez questão de incluir um prefácio de José Rodrigues dos Santos, figura bem conhecida dos portugueses.

"Ao prefaciar este romance de Orwell, José Rodrigues dos Santos esqueceu-se de que o autor escreve sempre contra um certo mundo, com vista a uma inversão radical da sociedade mercantilista", escreve o editor da Antígona

É realmente de lamentar a comercialização do livro sem qualquer escrutínio por parte do Clube do Autor. Mas será que...

Vale tudo?

Se lermos o livro de Orwell, podemos refletir sobre uma crítica bastante construtiva ao stalinismo e à forma elíptica da ideologia capitalista. Vemos o poder da opulência a ser exercido sobre as massas e ouvimos dizer-lhes que é para o bem delas. Quando, na realidade, sabemos que é para o próprio bem. Fora do livro, vemos declarar-se o matrimónio entre o capitalismo e a manipulação com a presunção do todo como um produto que tem escopo comercial. Quem compra cala e consente. E quem sente, sente a injustiça.  

Não é de espantar, portanto, a providência cautelar imposta pela Antígona e muito menos a consequente retirada da edição do Clube do Autor do mercado, esclarecendo ainda que tudo não tinha passado de um "equívoco". 

Mas como é possível haver equívocos tão bem engendrados?

Vale mesmo tudo?


Referências:

Orwell, George. 1984. Antígona. Lisboa. 2015.

https://www.publico.pt/2020/04/06/culturaipsilon/noticia/-edicao-1984-clube-autor-ja-retirada-livrarias-online-1911200

https://antigona.pt/blogs/noticias/comunicado-do-editor

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

0.2 Da irreverência que ajuda os desafortunados

Ave! Sugiram os bravos verdadeiros! Danem-se os imperadores Romanos e os deuses ao lado dos quais se sentam; danem-se até os mais antigos que os Romanos, Hermes, Matador de Argos e Apolo, que tão bem a lira se veio acomodar! Danem-se ainda aqueles que cantam por inspiração de musas, sejam estas as antigas, de Homero, ou as dos génios de Shelley, Blake, Keats ou Byron, aquilo que a chamavam poesia, que achavam tão bem que educava o Homem! A sua doçura e luz não existe, e este embuste em nada se há de comparar à força dos bravos verdadeiros!
 
Quem são os bravos verdadeiros? Quem salvará a Humanidade com palavras apetrechadas das asas de galinha ou de um pombo que rodeia um apartamento de uma metrópole americana? Quem deixará de saudar orgulhosamente a Lady Liberty para que se digne ao serviço de enaltecer a vida do cidadão comum? Oh, quem, mas quem, trará à Polis o fogo que Prometeu prometeu, antes de esventrado e reinventado num farol à frente de uma câmera?

Ave! Vieram das torres altas  maiores em pedra, betão e estupidez que a casa dos deuses  do novo Império as divindades da irreverência! Já não é suficiente que se danem os antigos ou males da vida  o dizer "Que Se F*da!" (porque Está Tudo F*dido) é a quase nova arte destes novos figurões da mitologia (mas sempre censurado, porque a saúde do seu público leitor, que gosta de se sentir contrário, compromete-se com aquele nojo nas capas)! Mark Manson fez-se profeta deste novo estoicismo, assente nas histórias de bardos mal contadas e uma inteligência cujo caráter perecível não se faz facilmente perceptível! Ave!

Basta!

Esta prosa prudente do palavreado plebeu por pretendentes a profetas proferida porá a perfeição da filosofia a cair a pique de um penhasco... Mas que maravilhadas as massas que massacram a massa cerebral com esta m... Não me afogarei na mesma irreverência que estes nossos novos Cíceros, cujo sucesso é a vontade de danças com dejetos na campa do velho...  Vende-se tranquilidade, mas que a prática desta não passe do folhear de um livro cheio de palavrões! 

A sapiência é corrupta! Degolou-se Atena, mocho morto do chão, de asas cortadas; Odisseu que a chore! Nenhum templo de ossos resiste sucumbir ao capital e ao falso espírito contrariado que o imprime.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Um texto interessante dum senhor irritante

 Esta semana, Joseph Epstein (n.1937) foi assunto-twitter pelas piores razões: foi impertinente e snob com a esposa do futuro Presidente. Isso não significa que não diga coisas interessantes. Este ensaio, mesmo que discordemos, ajuda a pensar: 

I am not about to say of poetry, as Marianne Moore once did, that “I, too, dislike it,” for not only has reading poetry brought me instruction and delight but I was taught to exalt it. Or, more precisely, I was taught that poetry was itself an exalted thing. No literary genre was closer to the divine than poetry; in no other craft could a writer soar as he could in a poem. When a novelist or a dramatist wrote with the flame of the highest inspiration, his work was said to be “touched by poetry”—as in the phrase “touched by God.” “The right reader of a good poem,” said Robert Frost, “can tell the moment it strikes him that he has taken an immortal wound—that he will never get over it.” Such quasi-religious language to describe poetry was not unusual; not so long ago, it was fairly common. “The function of poetry,” wrote Robert Graves, “is religious invocation of the Muse; its use is the experience of mixed exaltation and horror that her presence excites.”

Ler o resto aqui


domingo, 13 de dezembro de 2020

Sugestão literária (natalícia também)

Hugo Alexandre Martins


Porque considero a leitura uma necessidade quase orgânica, gostaria de lançar um repto aos meus colegas para, nesta quadra que se avizinha, comprarem o livro Apneia, já aqui mencionado.

Tendo como protagonistas pai, mãe e filho – tríade, por vezes, tóxica –, trata-se de uma narrativa densa, salpicada de interessantes pormenores.

De entre os muitos e diferentes assuntos abordados ao longo de quase 700 páginas, todos eles de palpitante atualidade, entendo ser de realçar: a violência psicológica e as inúmeras consequências daí decorrentes, como o ónus da culpa; o drama da alienação parental; a sempiterna ineficácia desses monstruosos e gigantescos labirintos que são, enfim, os corredores da justiça, onde processos que requerem ação imediata se arrastam e delongam por tempo indeterminado; um certo laxismo penal que teima em persistir; o imenso desgaste que um divórcio litigioso, qual carnificina, frequentemente acarreta; e, não menos interpelante, a violência infantil no seio familiar.

A forma clínica e desassombrada como Tânia Ganho, ao mesmo tempo que retrata aspetos comezinhos do dia-a-dia, disseca e explora, com admirável destreza, lucidez e propriedade, assuntos que sabemos delicados é, sendo eufemístico em extremo, de cortar a respiração, de tal forma que me vi obrigado, na tentativa de recuperar o fôlego perdido, a suspender, durante breves segundos, a leitura.

Apneia retrata fielmente o dia-a-dia de milhares de famílias estilhaçadas, onde não apenas a mulher é vítima (também as há do sexo masculino), como as crianças, uma vez nas malhas da justiça, autênticas marionetas, “Adriana via Edoardo saltar de uma casa para a outra, levando discursos de ódio do pai para o apartamento da mãe e informações sobre a vida privada da mãe para a vivenda do pai, e perguntava-se quantos adultos suportariam viver assim, num vaivém constante, num leva e traz, uma semana num bairro, uma semana noutro, fazendo de intermediário entre duas pessoas incapazes de se respeitarem.” (p. 204). Mais do que uma criança, uma bola de pingue-pongue.

Como refazer a vida depois de um casamento fracassado? Quais as batalhas que uma mãe diligente e protetora está disposta a travar? Quais os limites de uma mente ensandecida, obcecada e viciosa? Como lidar com um pai que planta no seu filho, sem pejo nem pudor, as sementes do ódio e da intolerância? Eis algumas das questões com as quais, capítulo após capítulo, o leitor se vê confrontado.

Uma obra que prima pelo conteúdo, bem assim como pela forma. Tudo nela flui naturalmente, como se de um longo poema se tratasse. Puro mel literário. 

E se os licores aquecem os humores – expressão de Charles Dickens –, então Apneia, além de um livro escorreito, é também uma ótima bebida, daquelas a que ninguém resiste incólume.

Guia de sinais de revisão

Mesmo com o semestre já findado, deixo aqui  este guia bastante completo dos sinais usados na revisão de texto. O  site  Revisão para quê t...