terça-feira, 2 de março de 2021

Como mostrar o livro às pessoas?

 Raquel Paixão

Para os autores, seus agentes e editoras, o marketing de um livro exige uma série de estratégias que permitam atrair possíveis leitores. É importante ter uma noção do público-alvo do livro que se vai promover e do tipo de perfil que estes leitores têm; ao saber os interesses, gostos e tendências favoritas dos leitores a quem o livro se destina, maior a probabilidade de o livro ser bem recebido.

Com um público-alvo em mente e a obra escrita, um autor pode alcançar uma comunidade de leitores e fornecer uma cópia avançada do livro. Os leitores (muitos dos quais têm milhares de seguidores nos seus blogs) publicam uma crítica sobre o livro e incitam burburinho sobre ele nas suas redes sociais e, consequentemente, o livro acaba por alcançar um maior número de leitores.

De igual importância é dar a conhecer o autor do livro e compartilhar mais detalhes sobre si e sobre a sua obra. Penso que, atualmente, a maneira mais acessível e eficaz de o fazer é através das redes sociais. Criar um blogue, um site, uma página no Instagram, no Facebook ou até mesmo no Twitter permite que se estabeleça uma ligação com outros autores e leitores, ampliando a rede de leitores e seguidores do autor e, naturalmente, das suas obras. Além de entrevistas e comunicados de imprensa, os leitores são também quem faz grande parte da promoção de um livro, nomeadamente em plataformas online.

Exercício de Tradução

Aqui está a minha proposta de tradução para o poema.


Não sabes o que é o amor

(uma noite com Charles Bukowski)


Não sabes o que é o amor, disse Bukowski

Tenho 51 anos, olha para mim

Estou apaixonado por esta miúda 

Ficámos apegados um ao outro

Portanto está tudo certo, é assim que deve ser

Entro-lhes no sangue e elas não me conseguem largar

Tentam de tudo para fugir de mim

mas, no final, todas voltam

Todas elas voltaram para mim, exceto

a que eu plantei

(...)


Esta última parte não me soa nada bem mas ainda não consegui arranjar uma solução melhor. Amanhã ficarei mais esclarecida certamente. 

Antevisão da aula 4

1. Dedicaremos uma boa parte da aula à tradução de Carver. Tentaremos, pela prática, chegar a algumas conclusões. 

2. Agora um exercício simples que alguns já conhecem. Pontue o seguinte trecho: 


«(…) na América surgiu logo a polémica pode rir-se com isto mas claro que sim deve-se até é a atitude cívica mais apropriada o complemento da resposta política e militar que os países devem ter para arrasar o Estado Islâmico lá onde falham as armas dos exércitos e as ideias dos políticos ao menos que ataquem os humoristas»


3. Do sucesso

 Há um admirável mundo novo por aí. Não é o meu, será talvez o de alguns de vós. Há muitos anos, salvo erro em 1998, sentei-me em Frankfurt à mesa - num jantar para o qual fui convidadopor uma amiga - ao lado de uma jovem checa que ganhara um prémio (uma ida à Feira de Frankfurt, precisamente) para jovens promissores no mundo da edição. Perguntei-lhe o que queria fazer e ela respondeu, contente: «Quero editar livros de gastronomia.» Fiquei abalado, porque naquele tempo eu pensava que a área mais nobre da edição era a literatura. E surpreendeu-me que alguém tão jovem fosse já tão pragmático e claramente sobrepusesse os Altos Valores Espirituais à ambição clara de ganhar dinheiro. 

Eu estava errado, ela estava certa. Nos anos seguintes, os livros de gastronomia disparariam, ao ponto de na montra de uma livraria de Hong Kong (estou a pavonear as penas, eu sei, ó pra mim tão viajado) só encontrar livros de gastronomia, quase todos de anglo-saxónicos. Sempre achei graça a Jamie Oliver ensinando os italianos a comerem pizza - vá lá, ainda não nos ensinou a comer jaquinzinhos, mas lá chegará um Chef Ramsay, um Anthony Bourdain, uma Nigella qualquer que o faça. 

(Curiosamente, este último parágrafo relaciona-se com a lição de Teoria em que Tony Montana explica ao amigo as regras da relação entre economia, poder e cultura.) 

O século XXI mudou as regras no mundo editorial, confirmando definitivamente (até ver) a língua inglesa como central e as outras todas como anãs periféricas, independentemente do número de falantes - podemos ver a analogia com o facto de - wikipediem, que não faz parte da matéria - as mulheres serem metade da humanidade mas, ainda hoje, vistas como minority. 

Tropecei nestes rapazes que passam para vídeo «o essencial» de livros que levariam um pedaço a ler. Para mim, é mais um passo no avanço dos bárbaros: a ascensão dos iletrados ao poder, e o dinheiro como medida única de «sucesso». Nos jornais e restantes media, vi esta mudança quando as notícias deixaram de ser sobre o prestígio do prémio e passaram a ser sobre a quantia. Isso fez com que a forma de um prémio ganhar nome passasse a ser estupidamente simples: basta o valor do prémio ser alto para logo lhe atribuirem valor.     

A mim arrepia um pouco. 


 

1 – Como mostrar o livro às pessoas?

            A ideia aqui creio eu ser a de disseminar o mais possível a existência de um livro – tanto para a editora como para o autor. Acho que há vários instrumentos que são já utilizados para fazer isso mas nos últimos anos as redes sociais tornaram-se muito importantes por fazer chegar o livro ao público potencial.

            Também outro fenómeno peculiar creio eu, parece-me, se tornou mais comum. O de ler os livros depois de ver o filme de Hollywood. As Cinquenta Sombras de Grey, Millenium, Harry Potter. Se recuarmos para os anos 90 isso não acontecia, pelo menos com a mesma escala com que acontece agora. Quase ninguém leu o Senhor dos Anéis (os três livros massudos), quase ninguém leu o Psicopata Americano que deu origem ao filme do mesmo nome com o Christian Bale. Ninguém leu, praticamente, o livro que deu origem ao Clube de Combate, ao Blade Runner, à Laranja Mecânica. Enfim, creio que até Saramago foi mais lido depois da adaptação ao cinema do seu livro Ensaio sobre a Lucidez, salvo erro.

            Há muitos instrumentos, no entanto, para fazer chegar o livro ao público: 1) comunicados de imprensa (press releases), 2) reuniões públicas de apresentação do livro com editor e autor (sessões de autógrafos), 3) notícias nos (tele)jornais, 4) posters nas livrarias, 5) críticas literárias (positivas de preferência). Gostava de acrescentar, como disse ainda há pouco, o papel das redes sociais. Pode enviar-se uma mensagem ou publicação para todos os seguidores de uma dada pessoa ou editora a pedir um gosto no anúncio do livro – e aí tudo tem o seu papel – seja o Facebook, o Instagram, etc. (não conheço todas as redes sociais existentes, até porque não uso nenhuma).

segunda-feira, 1 de março de 2021

Exercício de tradução

 Daniel Regis


Você não sabe o que é o amor (uma tarde com Charles Bukowski)


Você não sabe o que é o amor Bukowski disse

Tenho 51 anos olhe pra mim

Estou apaixonado por uma jovem mina

Eu me apeguei mas ela também

então está tudo certo cara isso é como tinha de ser

Eu entrei em seus sangues e elas não podem me tirar

Elas tentam de tudo para se livrar de mim

mas todas voltam no final

Todas voltaram para mim exceto

aquela que eu plantei


[…]

Como fazer sequer com que algumas pessoas (pelo menos, o público-alvo potencial) saibam que o livro existe?

Julia Roveri

Aqui vão algumas ideias:

1. Selecionar, além da sinopse, os trechos mais interessantes da obra e boas fotos do livro. A partir deste material, planejar uma campanha de marketing de forma a divulgar o livro a longo prazo nas redes sociais da editora;

2. Enviar o comunicado de imprensa para jornalistas que colaborem com veículos de imprensa adequadas ao público-alvo. Caso saia alguma resenha sobre o livro, incorporá-la ao plano de divulgação da obra e publicá-la nas redes sociais com um trecho, sempre deixando um link para a compra do livro, com mais informações sobre o mesmo;

3. Prezar pela rapidez em responder aos jornalistas e divulgar resenhas sobre a obra em questão; cultivar uma relação próxima com os jornalistas/resenhistas;

4. Inscrever o livro em prêmios literários. Ainda que não vença a competição, pode ser que chegue às mãos certas, ou seja, a um crítico que se interesse pelo livro e o promova, mesmo que de maneira informal em conversas com amigos — que muitas vezes também pertencem ao meio literário;

5. Firmar parcerias com bookgrammers, booktubers e afins;

6. Se considerar que o livro pode interessar, enviar a obra como cortesia a escritores/revisores/tradutores/professores selecionados e ativos em redes socias/jornais (leia-se: com um número considerável de seguidores que compõem o público-alvo do livro). Caso gostem, às vezes pode acontecer uma divulgação espontânea, ainda que seja um breve story;

7. Marcar presença em eventos onde o público-alvo esteja presente — como feiras literárias, por exemplo — em que se possa colocar o livro em destaque; promover, além do lançamento da obra, eventos similares em que o livro possa ser citado, recomendado e, é claro, adquirido.

Exercício de tradução + Reflexão

 Ana Filipa Leite

Aqui está a minha tradução do título e das primeiras 10 linhas do poema You don't know what love is (an evening with Charles Bukowski).


Não sabes o que é o amor (um serão com Charles Bukowski)

Bukowski disse não sabes o que é o amor 

Tenho 51 anos olha para mim

Estou apaixonado por uma miúda

Estou a bater mal mas ela também

por isso não faz mal amigo é assim que deve ser

Entro-lhes no sangue e elas não me sabem tirar

Elas fazem de tudo para se livrarem de mim

mas no fim elas voltam sempre todas

Elas voltaram todas para mim exceto

aquela que plantei


Aproveito para expor uma dúvida/reflexão sobre este exercício:

Já cinco colegas traduziram o verso "the one I planted" como "a que eu deixei plantada" ou algo com o mesmo sentido. Eu não sei de (nem encontrei) qualquer relação entre o verbo inglês "to plant" e a ideia de deixar uma pessoa à espera ou abandonada, relação essa que existe em português quando dizemos que alguém foi deixado plantado.

Quando este sujeito poético nos diz que "They all came back to me except / the one I planted", não poderá estar a sugerir que todas as mulheres voltaram para ele exceto aquela com quem ele tentou cultivar/plantar uma relação mais séria? Nesse sentido, esta mulher seria exatamente o oposto de uma pessoa que foi deixada plantada.

A tradução "a que eu deixei plantada" impõe uma interpretação do verso ao leitor, sem lhe permitir tirar a sua própria conclusão sobre o significado da escolha do verbo "to plant." A meu ver, neste caso seria mais adequado fazer uma tradução literal.

Guia de sinais de revisão

Mesmo com o semestre já findado, deixo aqui  este guia bastante completo dos sinais usados na revisão de texto. O  site  Revisão para quê t...